Pupia
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A pupia

O BOLO

Na nossa dieta andevalenha quase que não pode faltar, para o café da manhã e lanches o característico pãozinho de gordura ou manteiga, elaborado com a simplicidade de mãos artesanais que adquiriram o costume que deixassem os séculos como boa herança; pequena iguaria que nas mesas dos mineiros ou no campo é um elemento alimentício de valor capaz de suportar as longas intempéries de qualquer manhã de inverno.

As crianças gostam de pãozinho e mastigam-no com prazer e devagar como querendo que não se lhes acabe; as mulheres acham primordial, guardam-no com excesso de cuidado na bolsa, oferecem-no com esmero e fazem-lhe o seu rito devocional de mães ou esposas; os mais velhos querem o toque da sua ternura e degustam-no molhado no café, simbolizando a necessidade de mais ternura e mais sabor.

Faz-se com sabedoria, como se fazem as coisas que nos sustentam a vida e nos livram da fome e se come com paixão. O pãozinho é redondo como um pequeno universo e não tem fim.

Ramon Llanes. 15 julho de 2021.

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