Economia

Desertificação preocupante na fronteira do Guadiana

Despovoamento
Despovoamento
Os números não mentem.

Revelados pelo Censo de 2021 revelam dados preocupantes sobre a desertificação humana na margem portuguesa do Guadiana, apesar de todos os programas e dos rios de dinheiro gastos em projetos que prometiam a inversão da tendência que continua a verificar-se de abandono e concentração nas grandes cidades.

Porque fogem do interior os seus habitantes é uma discussão que tem vido a ser feita para a tomada de medidas de correção, mas o certo é que existem causas debatidas diariamente e reconhecíveis nas reclamações não atendidas.

A vida moderna não chega às populações isoladas, o investimento na produção de postos de trabalho é escasso, a agricultura tradicional está a desaparecer ou por abandono ou por substituição pela cultura intensiva ou reservas de caça. A navegabilidade do rio vai a passo lento, há poucas pontes entre as duas margens.

Quanto à vida moderna não há quem resista e uma Internet ainda a lentíssima. Por exemplo, na Aldeia da Mesquita, Mértola, onde muitas vezes se fazem os artigos de FOZ – Guadiana Digital só agora temos banda larga 4G e, a maior parte dos dias, a contratada de 40 MB não atinge sequer os 10 MB, repartida que está com o número de chamadas simultâneas. Transportes para o centro uma vez por semana e por concessão municipal, transportes para fora do concelho tem de se agarrar um táxi para embarcar num expresso.

Quem navega neste mar de dificuldades para uns, mar de rosas para outros, são as companhias que a lei protege e que estão agora a discutir o 5G, mas certamente vão começar a instalar as primeiras ligações dos estádios de futebol e nas grandes arenas, depois nas ruas das grandes cidades e só daqui a outros dez anos vão chegar ao interior a dizer que não vale a pena instalar nada porque não há gente que justifique. Bazucas de pólvora seca é o que mais se veem por aí, dizem os mais céticos.

./JEC – Foz do Guadiana

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