Nau Vitória - Réplica
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Mestre Calvino e a Nau Vitória

Outro honroso trabalho de um português ao serviço de Espanha

Há um mestre da construção naval, nascido e criado em Vila Real de Santo António, José Calvinho, que teve uma importante participação na réplica na Nau Vitória que, em 2019, 500 anos depois da original ter dado a volta ao Mundo e provado o conceito de que a terra é redonda, zarpou de San Lucar de Barrameda, Andaluzia, a cumprir o mesmo desígnio.

Atendendo certamente à sua acção no desenvolvimento daquele trabalho, foi depois contratado pela mesma Fundação da Nau Vitória, como Mestre Principal, para orientar, em Punta de Umbria, os trabalhos de um empreendimento maior, um galeão semelhante aos que, à época, transportavam os produtos trazidos das colónias americanas para Espanha.

O Mestre chegou a ter sob sua orientação mais de cem trabalhadores, para que o “ANDALUCIA”, de seu nome, fosse inaugurado no dia 19 de Fevereiro de 2013, e seguisse, rumo a Sevilha. Este galeão, com cerca de quarenta metros de comprimento, tem dois mastros também com quarenta metros de altura.

Estas embarcações eram apetrechadas com canhões de bordo para fazer frente a outras, inimigas, que porventura ousassem cruzar-se em seu caminho com intenções de saqueio. Hoje, no galeão “ANDALUCIA”, as réplicas desses canhões são praticamente elementos decorativos. O seu equipamento, idêntico ao original, está agora reforçado com instrumentos da mais moderna tecnologia de forma a poder enfrentar os oceanos mais confiante, sem receio a transtornos de navegação.

José Cavinho tem por norma levar uma vida discreta, tendo sido, durante muito tempo, difícil que se abrisse sobre a sua experiência, até que José Romão conseguiu o feito, não apenas de lhe ouvir as palavras, mas de, na sua companhia e amigos, se deslocarem à nau construída nos estaleiros de Isla Cristina, provícia de Huelva, Espanha.

Nascido e criado em Vila Real de Santo António o Mestre José Calvinho é uma pessoa bem conhecida e respeitada no seu meio. Exerceu a sua profissão, sempre ligado à construção naval, onde soube granjear a admiração dos amigos, e dos seus clientes, pela sua competência e rigor de execução dos trabalhos. Homem de fino trato, observador atento, poupado em palavras, sem no entanto as regatear na animação de uma boa conversa, é hoje objecto da atenção por ter conseguido mais um assinalável êxito na sua já vasta carreira profissional.

A galeria fotográfica que vos apresentamos, com a devida vénia ao José Romão (Zeca Romão), foi realizada no dia 27 de Março de 2017, e nas fotos aperecem os seus amigos Artur Estêvão, Ilídio Rodrigues e o próprio Zeca Romão que fez as fotos e nas quais se não vê.

Resta dizer que os seus amigos esperam o merecido reconhecimento a este operário especializado, por parte do município de Vila Real de Santo António, pela qualidade do inegável valor deste meritório e honroso trabalho de outro português ao serviço de Espanha, tal como há mais de 500 anos Fernão de Magalhaes.

José Estêvão

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